Notícias
Smart Sampa que faz prisões em 10 minutos é criticado por falta de transparência
|
Getting your Trinity Audio player ready...
|
Smart Sampa é o programa de vigilância com câmeras e reconhecimento facial da Prefeitura de São Paulo

LSÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Uma câmera em uma UPA na cidade de São Paulo registra a movimentação rotineira das pessoas que chegam ou aguardam atendimento na recepção. Em um determinado momento, um homem de boné é abordado por guardas civis e retirado do local. A ação ocorreu em poucos minutos na tarde da última quarta-feira (2).
O detido havia sido identificado como foragido da Justiça pelo algoritmo do Smart Sampa, programa de vigilância com câmeras e reconhecimento facial da Prefeitura de São Paulo. Com operação oficialmente iniciada em novembro do ano passado, conta hoje com 25 mil câmeras e tem sido a principal bandeira da gestão Ricardo Nunes (MDB) na segurança pública, área em que o prefeito também tenta se projetar ao tentar a troca do nome da Guarda Civil Metropolitana (GCM) para Polícia Municipal -medida por enquanto suspensa na Justiça.
Do total de equipamentos, 5.000 pertencem a particulares, que filmam a rua. São, no geral, empresas de segurança, como as que fazem monitoramento de condomínios. Atualmente são 27 pessoas jurídicas com imagens disponibilizadas para o programa, que também são lidas pelo algoritmo. A gestão Nunes diz querer chegar a 30 mil câmeras até o fim deste ano e a 40 mil até o fim do mandato, em 2028, como propõe em uma de suas metas de governo.
A sala de operações do Smart Sampa, na qual equipes da GCM e de outros setores da prefeitura – SPTrans, Defesa Civil, CET e subprefeituras- trabalham, fica no terceiro andar do edifício que já abrigou a sede do Banco Alemão, no número 268 da rua Quinze de Novembro. Ao todo são 400 agentes divididos em quatro turnos de operação.
O setor administrativo dedicado à operação, composto por guardas civis e funcionários do consórcio Smart City SP, que venceu a licitação para operar o programa de monitoramento, ocupa mais um andar do prédio. E outro piso abriga a escola de drones da GCM, que tem 20 desses equipamentos em operação.
No térreo, um painel que exibe a localização de todas as câmeras do Smart Sampa divide o espaço com uma unidade do Descomplica SP, programa de serviços da prefeitura.
Na fachada do edifício, de frente para o prédio da Bolsa de Valores, há um painel que conta as detenções feitas a partir do Smart Sampa. Na tarde de quarta-feira, o “prisômetro”, como foi chamado pelo prefeito Nunes, contava 953 foragidos capturados, sendo 636 neste ano (203 apenas em março), além de 2.161 presos em flagrante e 52 desaparecidos localizados.
As atuais 25 mil câmeras do programa passam 24 horas por dia mirando rostos em São Paulo e buscando similaridades com foragidos que tenham mandado de prisão aberto na base do Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões. Quando o algoritmo identifica um rosto com 80% de similaridade com o de algum procurado, emite um alerta, que é descartado caso o programa não chegue a uma correspondência de 92%. Para que alguém na central dê a ordem, é preciso que o algoritmo tenha no mínimo esse nível de confiança de que a pessoa vista é um foragido com mandado aberto.
Até que seja dada a ordem, toda a checagem é feita pelo algoritmo do Smart Sampa. “Quem faz a confiança do reconhecimento do banco de dados do procurado versus a imagem da câmera é o sistema. Bateu 92%, ele [o ser humano que] está acompanhando a ocorrência [busca] a viatura de área mais perto e manda a foto do procurado para efetuar a prisão”, diz o secretário de Segurança Urbana da cidade, Orlando Morando.
Estão georreferenciadas -ou seja, a prefeitura, em tese, sabe exatamente onde estão na cidade- as 220 motos, 610 viaturas e todos os agentes a pé (por meio de aplicativo de celular) da GCM, ele diz. Com isso, entre a leitura da imagem pela câmera e uma eventual prisão se passam dez minutos. Além dos drones, há um ônibus para monitoramento na avenida Paulista.
CÂMERA NAS MOTOS
Os agentes da GCM ainda não usam câmeras. A recomendação foi feita pelo Ministério Público, mas o secretário afirma que isso ainda será discutido. “Vamos fazer a justificativa técnica de como pode operacionalizar isso.”
Segundo Orlando Morando, há outras prioridades na operação. “Por exemplo, a câmera nas motos. Esse é nosso desafio agora, estamos iniciando procedimento para testar”, diz. O objetivo é que os dispositivos nas motocicletas transmitam a imagem à central, para agilizar a ação no caso de veículos roubados ou furtados. Os dados de placas são do Córtex, programa do Ministério da Justiça e Segurança Pública, e foram disponibilizados por meio de um convênio.
Até o momento, de acordo com o secretário, não houve contestação das detenções feitas a partir do Smart Sampa, seja pela defesa dos acusados ou de algum órgão de controle como o Ministério Público, seja por erro no reconhecimento. Todos os detidos são levados a uma delegacia para conferência de documentos e registros.
O secretário afirma que há proteção contra desvios e uso indevido do monitoramento e que todos os usuários do sistema têm suas ações rastreadas. E diz que se algum erro ou problema de violação de privacidade tivesse ocorrido, já teria sido divulgado. Também credita à falta de erros a qualidade do reconhecimento feito pelo algoritmo do Smart Sampa.
As informações da operação são enviadas mensalmente para o conselho gestor do programa, composto por órgãos municipais, e podem ser acessadas pelo Ministério Público desde que sejam solicitadas. Relatórios do monitoramento também deverão publicados quando o Smart Sampa completar seis meses de operação. A transparência e o controle social externo são alguns dos pontos de crítica ao programa, como apontaram especialistas na época da inauguração do “prisômetro”.
SMART SAMPA EM NÚMEROS
Câmeras
– 25 mil equipamentos
– Zona leste: 7.500
– Centro: 5.500
– Zona sul: 5.000
– Zona oeste: 4.000
– Zona norte: 3.000
Equipes
– 400 agentes divididos em quatro turnos
– GCM, SP Trans, CET, Defesa Civil e subprefeituras
Notícias
Sergipe aposta no turismo, preservação cultural e desenvolvimento sustentável para crescer em 2025
O menor estado do Brasil em território, Sergipe tem apostado em grandes estratégias para impulsionar sua economia, promover o turismo e valorizar seu patrimônio cultural. Com pouco mais de 2,3 milhões de habitantes, o estado nordestino vem se destacando nacionalmente por sua organização urbana, segurança pública e preservação histórica.
Em 2025, o governo estadual lançou novos projetos de incentivo ao ecoturismo, à cultura e à infraestrutura, com o objetivo de fortalecer o desenvolvimento sustentável e reduzir desigualdades regionais.
Turismo: natureza, história e festas populares impulsionam visitas
De um lado, as águas do Rio São Francisco formam paisagens cinematográficas nos cânions de Canindé de São Francisco. Do outro, as praias de areia clara e mar calmo encantam turistas que buscam tranquilidade no litoral sul, em locais como Praia do Saco e Caueira.
Segundo dados da Secretaria de Turismo, Sergipe recebeu mais de 1,2 milhão de visitantes em 2024 — um aumento de 18% em relação ao ano anterior. A capital Aracaju lidera como porta de entrada, com destaque para a Orla de Atalaia e o novo Terminal Turístico inaugurado no início deste ano.
“Temos investido em promover não só o litoral, mas o interior sergipano, que é riquíssimo em história, cultura e gastronomia”, afirma a secretária de Turismo, Ana Paula Tavares.
Cidades como São Cristóvão e Laranjeiras são exemplos disso. Ambas guardam acervos arquitetônicos e culturais do período colonial, além de sediar eventos como o Encontro Cultural de Laranjeiras e as festas religiosas que mobilizam milhares de fiéis.
Infraestrutura e mobilidade em foco
Em março de 2025, o governo estadual anunciou um pacote de obras de R$ 400 milhões para modernização de rodovias, pontes e estradas vicinais, com foco na integração entre o litoral, o agreste e o sertão. A duplicação da rodovia SE-100, no trecho entre Aracaju e Estância, está entre as principais intervenções.
“A logística é essencial para fortalecer a economia local, facilitar o escoamento da produção agrícola e melhorar o acesso ao turismo”, afirmou o governador Fábio Mitidieri, durante o lançamento do programa.
Educação, cultura e inovação
Sergipe também tem se destacado pelo investimento em educação pública e iniciativas de inovação. A Universidade Federal de Sergipe (UFS) inaugurou em abril um centro de tecnologia voltado à energia solar e soluções sustentáveis, com apoio do CNPq e parcerias internacionais.
Além disso, projetos culturais financiados por leis de incentivo têm promovido a valorização da identidade sergipana, com oficinas de música, literatura de cordel e artesanato em comunidades ribeirinhas e quilombolas.
Economia e desafios
A economia sergipana ainda enfrenta desafios como a concentração de renda e o desemprego no interior. No entanto, setores como o agronegócio, a produção de gás natural e o turismo vêm registrando crescimento nos últimos anos.
“Com os investimentos certos e a valorização da cultura local, Sergipe tem tudo para se tornar referência em desenvolvimento sustentável no Nordeste”, afirma o economista João Henrique Dias.
Pequeno no mapa, grande em potencial
Com sua mistura de história, natureza, cultura e modernidade, Sergipe mostra que tamanho não define relevância. Em 2025, o estado segue crescendo com os pés no chão, priorizando a preservação de suas raízes e o bem-estar de sua população.
Notícias
Penedo e Brejo Grande: cidades vizinhas conectadas pelo Rio São Francisco e por laços culturais
Do outro lado do Rio São Francisco, separados por menos de 10 minutos de travessia de balsa, estão Penedo (AL) e Brejo Grande (SE), duas cidades nordestinas unidas não apenas pela geografia, mas também pela cultura, economia e história compartilhadas.
Com pouco mais de 60 mil habitantes, Penedo é uma das cidades mais antigas de Alagoas, conhecida por seu centro histórico preservado, igrejas barrocas e casarões coloniais que atraem turistas de todo o Brasil. Já Brejo Grande, com cerca de 9 mil moradores, é o último município do estado de Sergipe antes da foz do “Velho Chico” no Oceano Atlântico.
A proximidade entre as duas cidades — cerca de 12 km por via terrestre ou apenas 2,5 km em linha reta por água — favorece uma integração natural. Diariamente, moradores de ambos os lados cruzam o rio em balsas ou pequenas embarcações para trabalhar, estudar, visitar familiares ou fazer compras.
Integração regional e mobilidade
Apesar de estarem em estados diferentes, a convivência entre os municípios é intensa. O comércio penedense, mais estruturado, abastece grande parte dos moradores de Brejo Grande. Por outro lado, o turismo ecológico sergipano — como os passeios de barco pelos manguezais e pela foz do São Francisco — atrai visitantes hospedados em Penedo.
“Tem gente daqui que trabalha em Brejo Grande, e tem gente de lá que estuda aqui. A balsa faz esse elo todos os dias. É uma rotina”, conta Maria do Socorro, comerciante do centro de Penedo.
Desenvolvimento e desafios conjuntos
A região também compartilha desafios. A travessia do rio ainda depende, em grande parte, de embarcações privadas ou balsas que operam com horários limitados, dificultando a mobilidade em horários de pico ou em dias de manutenção.
Há anos, a proposta de construção de uma ponte ligando os dois municípios é discutida por lideranças locais, mas o projeto ainda não saiu do papel. A obra poderia impulsionar ainda mais o desenvolvimento turístico e comercial da região, além de facilitar o acesso a serviços de saúde e educação.
Turismo de base comunitária e preservação ambiental
A foz do Rio São Francisco é uma das principais atrações da região, com dunas, mangues e paisagens de tirar o fôlego. Empresas de turismo, cooperativas e guias locais promovem passeios que saem de Brejo Grande e Penedo, promovendo o turismo de base comunitária e contribuindo para a geração de renda local.
“É uma riqueza natural que a gente precisa preservar. Tanto Alagoas quanto Sergipe dependem desse rio”, afirma o guia turístico José Carlos, que atua na região há mais de 15 anos.
Cidades irmãs pelo São Francisco
Penedo e Brejo Grande são exemplos de como a geografia pode aproximar comunidades e criar laços além das fronteiras políticas. Unidas pelo São Francisco, elas compartilham uma identidade ribeirinha que transcende os limites estaduais e mostra a força da integração regional no Nordeste.
Notícias
Procissão do Fogaréu movimenta São Cristóvão nesta quinta-feira, 17
A cidade de São Cristóvão será palco, nesta quinta-feira, 17 de abril, de uma das mais tradicionais manifestações religiosas e culturais de Sergipe: a Procissão do Fogaréu. Realizado desde o século XVIII, o evento atrai fiéis, turistas e admiradores da cultura popular, sendo uma das principais atrações da Semana Santa no estado.
A programação começa às 17h com a Missa de Lava-Pés, celebrada no Santuário Nossa Senhora da Vitória (Igreja Matriz). Em seguida, às 20h, a Praça São Francisco recebe a encenação da Paixão de Cristo, com a participação de cerca de 80 atores locais, que representarão momentos marcantes como a entrada de Jesus em Jerusalém, a Última Ceia e sua condenação.
Logo após a encenação, tem início a Procissão do Fogaréu. Mais de 200 homens, vestidos com túnicas e carregando tochas, percorrem as ruas do Centro Histórico, que tem suas luzes apagadas para reforçar o clima de fé e contemplação. O cortejo simbólico revive a perseguição a Jesus na noite em que foi preso, promovendo uma experiência única e emocionante para o público.O evento é organizado pelo grupo cultural G12, formado por moradores de São Cristóvão, com o apoio da Prefeitura Municipal, que garante a infraestrutura e a segurança necessárias para a realização da celebração. A expectativa é de grande público, reunindo tanto a comunidade local quanto visitantes de outras cidades.
